29 de maio de 2012

PENTECOSTES

 

Esse é um tempo extremamente rico da igreja onde vivenciamos a presença do Espírito Santo de Deus sobre cada um de nós cristãos. Mas o que significa pentecostes? Como se da ação desse Espírito em nossas vidas?

É uma palavra que vem do grego e significa "qüinquagésimo". É o 50° dia depois da Páscoa. É a solenidade da vinda do Espírito Santo. Junto com Natal e Páscoa, forma o tripé mais importante do Ano Litúrgico. Esse detalhe ajuda a compreender por que Pentecostes pertence ao Ciclo da Páscoa.

Em primeiro lugar deveríamos ver atenciosamente o significado vivido na bíblia para o termo Pentecostes. Pentecostes foi festa dos judeus, e sua origem se perde nas sombras do passado. Antes de se chamar assim, tinha outros nomes, e era uma festa agrícola. Em Êxodo 23,14-17 é chamada de festa da Colheita, a festa dos primeiros feixes de trigo colhidos. Em Êxodo 34,22 é chamada de festa das Semanas. A explicação é dada pelo Levítico (23,15-21): calculavam-se 7 semanas a partir do inicio da colheita do trigo. 7 semanas = 49 dias.

Com o tempo, ela perdeu sua ligação com a vida dos agricultores, recebeu o nome grego de Pentecostes e se tomou festa cívico-religiosa. No tempo de Jesus, celebrada 50 dias apos a Páscoa, ela recordava a dia em que no Monte Sinai, Deus entregou as tábuas da Lei a Moises. Os Atos dos Apóstolos fazem coincidir a vinda do Espírito Santo com a festa judaica de Pentecostes. O episodio de Pentecostes é narrado por Lucas em Atos 2,1-11.

Em Atos 2, 4 encontramos: Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem.” Lendo com atenção todo o texto poderíamos refletir sobre diversos pontos, contudo fiquemos apenas com essa citação sobre a descida do espírito Santo onde todos começaram a falar conforme o Espírito lhes concedia. Interessante ver que a ação não é do homem, mas é concedida por força do Espírito de Deus.

A Igreja em sua sabedoria nos indica como podemos adquirir os dons do Espírito Santo. O Catecismo da Igreja Católica ensina que os dons do Espírito Santo “são disposições permanentes que tornam o homem dócil para seguir os impulsos do mesmo Espírito” (1830). A vida moral cristã é um permanente drama: viver como pessoas do mundo e segundo a carne ou como filhos de Deus, buscando em tudo a santidade do agir? Para o cristão, só é possível viver moralmente se sustentado pelos dons do Espírito Santo.

A igreja aponta sete dons do Espírito Santo, que pertenceram plenamente a Jesus Cristo: sabedoria, inteligência, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus. “Eles completam e levam à perfeição as virtudes daqueles que os recebem. Tornam os fiéis dóceis para obedecer prontamente às inspirações divinas” (CIC 1831). Vejamos mais detalhadamente sobre cada Dom do Espírito Santo:

SABEDORIA: Pelo dom da sabedoria buscamos não a sabedoria do mundo, mas aquela Verdade que se identifica com o Sumo Bem e que nos torna felizes, porque nos enche de alegria o coração, como disse Jesus: Quando fordes presos, não vos preocupeis nem com a maneira com que haveis de falar, nem pelo que haveis de dizer. Porque não sereis vós quem falareis, mas é o Espírito do vosso Pai que falará em vós (Mt 10,19-20).

ENTENDIMENTO: É o dom divino pelo qual aceitamos as verdades reveladas por Deus. Mesmo não compreendendo todo o Mistério, entendemos que ali está a certeza de nossa salvação porque é verdade que procede de Deus infalível. Disse Deus pelo profeta: Eu vos darei um coração capaz de conhecer-me, e de saber que sou Eu o Senhor. Eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus, porque de todo o coração se voltarão para mim (Jr 24,7).

CONSELHO: É a luz que o Espírito nos dá para distinguir-mos o certo do errado, o verdadeiro do falso, e assim orientarmos acertadamente a nossa vida e a de quem nos pede conselho. Sobre Jesus repousou o Espírito Santo, e lhe deu em plenitude esse dom, como havia profetizado Isaías: Ele não julgará pelas aparências, e não decidirá pelo que ouvir dizer, mas julgará os fracos com eqüidade e fará justiça aos pobres da terra. . . (Is 11,3-4).

FORTALEZA: É o dom da coragem para se viver fielmente a fé no dia-a-dia, e até diante do martírio se for preciso. Assim disse o Espírito à Igreja de Esmirna: Nada temas ante o que hás de sofrer. Por estes dias o demônio vai lançar alguns de vós na prisão, para pôr-vos à prova. Tereis tribulações durante algum tempo. Sê fiel até a morte, e te darei a coroa da vida (Ap 2,10).

CIÊNCIA: Não é a ciência do mundo, mas a ciência de Deus. A Verdade que é Vida. Por esse dom o Espírito Santo nos indica o caminho a seguir na realização de nossa vocação, pois o Espírito penetra tudo, mesmo as profundezas de Deus. . . As coisas de Deus ninguém as conhece a não ser o Espírito de Deus (1 Cor 2,10-11).

PIEDADE: É o dom pelo qual o Espírito Santo nos dá o gosto de amar e servir a Deus com alegria. Por ser o Amor do Pai e do Filho, o Espírito Santo nos dá o sabor das coisas de Deus. São Paulo escreveu: A respeito dos dons espirituais, irmãos, não quero que vocês permaneçam na ignorância. Vocês bem sabem que, quando vocês eram pagãos, eram facilmente atraídos para os ídolos mudos. Por isso eu lhes declaro: todo aquele que é agora conduzido pelo Espírito de Deus não pode blasfemar contra Jesus. Bem como ninguém poderá dizer convictamente Jesus é o Senhor, a não ser movido pelo Espírito Santo (1 Cor 12,1-3).

TEMOR DE DEUS: Este dom do Espírito Santo não significa medo de Deus, mas um amor tão grande que queima o coração de respeito por Deus. Não é um pavor pela justiça divina, mas o receio de ofender ou de desagradar a Deus. Por isso Jesus teve sempre o cuidado de fazer em tudo a vontade de seu Pai, como Isaías havia profetizado: Sobre Ele repousará o Espírito do Senhor, Espírito de sabedoria e de entendimento. Espírito de prudência e de coragem, Espírito de ciência e de temor do Senhor (Is 11,2).

Para concluir evoco as sabias palavras do Pe. Reginaldo Manzotti: “Deixemos que o Espírito Santo vá a nossa frente, nos conduzindo e iluminando, senão, depois não adianta querer que Ele venha atrás consertando as burradas que fazemos."

Entreguemo-nos pois á ação do Espírito Santo para que possamos realizar conforme a sua vontade aquilo que nos foi designado. Coloquemo-nos constantemente na presença do Senhor.

 

 

 

Ricardo Borges

RICARDO DE MOURA BORGES – FORMADO EM FILOSOFIA PELO ICESPI E ATUALMENTE CURSANDO HISTORIA NA UFPI.

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